PF prende 11 em ação contra lavagem de dinheiro por dólar cabo

Postado por Conectando você com o mundo da tecnologia | 11:44:00 AM | | 0 comentários »

SÃO PAULO - O cerco ao mercado de câmbio negro promovido pelas ações da Polícia Federal (PF) no Brasil tem levado doleiros a migrar para outros países, mesmo que continuem operando com clientes brasileiros.

Uma quadrilha que atuava dessa forma - com base no Uruguai e escritórios no Brasil - foi alvo de uma operação da PF que realizou hoje a prisão de 11 pessoas, entre brasileiros e estrangeiros, e cumpriu 28 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Santos, Porto Alegre e Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Outros mandados de prisão ainda estão sendo cumpridos fora do país com o apoio da Interpol.

De acordo com o delegado Rodrigo Luís Sanfurgo de Carvalho, que atua na divisão de repressão aos crimes financeiros da Polícia Federal em São Paulo, as investigações da Operação Harina deflagrada hoje começaram em outubro do ano passado, quando a PF descobriu uma célula criminosa que operava com o chamado dólar cabo, meio de compensação entre doleiros e clientes utilizado para permitir a evasão de divisas e a lavagem de dinheiro por meio de câmbio legal. A partir dela foram descobertas outras células que operavam de forma interligada. As quadrilhas usavam operações fictícias de importação de produtos - entre eles farinha (harina, em espanhol) - e subfaturamento de importações para enviar o dinheiro para os Estados Unidos, a China e países da Europa. " É um tipo de operação mais sofisticada de câmbio ilegal " , diz Sanfurgo de Carvalho. Segundo ele, as quadrilhas de doleiros vêm se sofisticando com o uso, por exemplo, de terminais de telefone em São Paulo e operação dessas linhas a partir do Uruguai, de forma remota.

De acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo, a organização atuava por telefone - Voip, Skype, fax, e-mail e Messenger - e as liquidações eram feitas, na maioria das vezes, por clientes do esquema com domicílio no Brasil. O montante negociado pelo esquema giraria em torno de US$ 500 mil por mês.
A Polícia Federal apreendeu 11 veículos, R$ 80 mil em dinheiro, R$ 1 milhão em cheques e documentos.

" O Brasil se tornou um território inóspito para esse tipo de crime " , diz o delegado Sanfurgo de Carvalho. Desde a Operação Farol da Colina, realizada em agosto de 2004 para investigar o uso das contas CC5 do Banestado para a evasão de divisas, a Polícia Federal realizou 18 operações com foco no combate ao mercado negro de moeda estrangeira no país.

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